Em audiência, Francisco disse que vê nos sacerdotes jovens a juventude da Igreja
Da redação, com Rádio Vaticano

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira, 1º, na
Sala do Consistório, no Vaticano, cerca de cem participantes da plenária
da Congregação para o Clero.
O Santo Padre iniciou seu discurso manifestando a alegria de dialogar
com eles sobre o ministério ordenado e recordando “a promulgação da
nova Ratio Fundamentalis, documento que fala sobre a formação integral,
capaz de incluir todos os aspectos da vida; e que indica o caminho para
formar o discípulo missionário”. “Uma estrada fascinante e exigente”,
sublinhou o Papa.
Refletindo sobre o fascínio do chamado e sobre o compromisso que ele
exige, o Papa pensou sobretudo nos “sacerdotes jovens, que vivem a
alegria do início do ministério, mas também o peso”.
Responsabilidade
“O coração de um jovem sacerdote vive entre o entusiasmo dos
primeiros projetos e a ânsia das fatigas apostólicas, nas quais se
imerge com um certo temor, sinal de sabedoria. Ele sente profundamente a
alegria e a força da unção recebida, mas sente também gradualmente o
peso da responsabilidade, dos vários compromissos pastorais e das
expectativas do Povo de Deus.”
O Santo Padre disse ainda que “muitas vezes os jovens são julgados de
forma superficial e são etiquetados como geração líquida, sem paixões e
ideais”.
“Certamente, existem jovens frágeis, desorientados, fragmentados ou
contagiados pela cultura do consumismo e do individualismo. Mas isso não
deve nos impedir de reconhecer que os jovens são capazes de apostar
firmemente sua vida e de se envolver com generosidade, de voltar o olhar
para o futuro e ser um antídoto contra a resignação e a perda de
esperança que marca a nossa sociedade; de ser criativos e alegres,
corajosos na mudança, magnânimos na dedicação aos outros ou luta por
ideais como a solidariedade, a justiça e a paz. Com todos os seus
limites, eles são sempre um recurso.”
O Papa disse aos sacerdotes jovens que “Deus olha para eles com a
ternura de Pai e não deixa os seus passos vacilar. Aos seus olhos vocês
são importantes e Ele sabe que estariam à altura da missão à qual os
chamou. Como é importante que os sacerdotes jovens encontrem párocos e
bispos que os incentivem nesta perspectiva e não somente os esperem
porque é preciso mudar e preencher os lugares vazios!”
“Alegro-me sempre quando encontro sacerdotes jovens, porque neles
vejo a juventude da Igreja. Por isso, pensando na nova Ratio, que fala
sobre o sacerdote como um discípulo missionário em formação permanente,
desejo indicar, sobretudo, aos sacerdotes jovens, alguns comportamentos
importantes como: rezar sem cessar, caminhar sempre e partilhar com o
coração.”
Rezar sem cessar
“Rezar sem cessar porque podemos ser ‘pescadores de homens’ somente
se nós por primeiros reconhecemos ter sido pescadores da ternura do
Senhor. A nossa vocação começou quando, abandonada a terra do nosso
individualismo e de nossos projetos pessoais, nos encaminhamos para a
santa viagem, entregando-nos ao Amor que nos procurou e à Voz que fez
vibrar o nosso coração. Assim, como os pescadores da Galileia, deixamos
as nossas redes agarramos aquelas que o Mestre nos entregou.”
“Aquilo que aprendemos no tempo do seminário, vivendo a harmonia
entre oração, trabalho e descanso, é um recurso precioso para enfrentar
as fadigas apostólicas. Todos os dias precisamos parar, colocar-nos à
escuta da Palavra de Deus e nos deter diante do Tabernáculo”, disse o
Papa.
“A oração, a relação com Deus, o cuidado da vida espiritual dão alma
ao ministério, e o ministério dá corpo à vida espiritual: o sacerdote se
santifica e santifica os outros no exercício concreto do ministério,
especialmente rezando e celebrando os Sacramentos.”
Caminhar sempre
“Caminhar sempre, porque um sacerdote permanece sempre um discípulo,
peregrino nas estradas do Evangelho e da vida, olhando para o limiar do
mistério de Deus e para a terra sagrada do povo a ele confiado.
Portanto, atualizar-se sempre e permanecer abertos às surpresas de
Deus”, sublinhou o Papa Francisco.
“Na abertura ao novo, os sacerdotes jovens poder ser criativos na
evangelização, frequentando com discernimento os novos lugares da
comunicação, onde encontrar rostos, histórias e perguntas das pessoas,
desenvolvendo a capacidade de se socializar, se relacionar e anunciar a
fé. Da mesma forma, eles podem ‘estar em rede’ com os outros presbíteros
e impedir que o caruncho da auto-referência freie a experiência
regeneradora da comunhão sacerdotal.”
Partilhar com o coração
Enfim, “partilhar com o coração, porque a vida sacerdotal não é um
escritório burocrático ou um conjunto de práticas religiosas ou
litúrgicas para atender”.
“Ser sacerdote significa arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos,
carregando na própria carne as alegrias e angústias do povo, dedicando
tempo e escuta para curar as feridas dos outros, oferecendo a todos a
ternura do Pai”, disse ainda o Santo Padre.
“Os jovens sacerdotes têm a grande oportunidade de viver essa
partilha com os jovens e adolescentes. Trata-se de estar no meio deles,
não somente como um amigo entre amigos, mas como aquele que sabe
partilhar com o coração a sua vida, ouvir e participar concretamente das
vicissitudes de suas vidas.”
“Os jovens não precisam de um profissional do sagrado ou de um herói
que responda às suas perguntas. Eles são atraídos sobretudo por aqueles
que sabem se envolver sinceramente em suas vidas, com respeito e
ouvi-los com amor. Para isso, é preciso ter um coração cheio de paixão e
compaixão pelos jovens”, concluiu o Papa.
Fonte: Canção Nova